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MERCÚRIO (Hg)
CONTAMINAÇÃO SÓ QUANDO HÁ NEGLIGÊNCIA.

MARIO P.COUTO JUNIOR *
MARCELO G. PEREIRA COUTO **


Após revisão literária, foi comprovado a existência da contaminação por mercúrio, de amálgama dental, apenas quando há negligência de profissionais em relação a certos cuidados que devemos ter durante o manuseio do Hg.

UNITERMOS: MERCÚRIO(Hg);CONTAMINAÇÃO

INTRODUÇÃO

O amálgama foi introduzido nos EUA em 1833 pelos irmãos Crawcour, simplificando a odontologia restauradora e tornando o tratamento dentário mais acessível a um maior numero de pessoas; devido ao seu baixo custo em relação ao ouro. Sendo sem duvida alguma o material mais utilizado nos últimos 150 anos.

O amálgama dental é um tipo de liga cujo um dos componentes obrigatórios é o mercúrio(Hg); o qual é o responsável por algumas alterações importantes no corpo humano quando utilizado inadequadamente.

A sua fácil disponibilidade e a convivência do homem com as mais variadas formas desse elemento são fatores que propiciam o descuido quanto à sua toxicidade. A associação do referido metal com substâncias orgânicas são tóxicas para os seres vivos; é preciso um controle mais rígido e cuidados especiais com o seu uso.

*Professor Assistente de Materiais Dentários AFE-UNIGRANRIO; Mestrando Dentística / Materiais Dentários USP-FOBauru.
**Professor Titular de Materiais Dentários AFE-UNIGRANRIO; Mestre Dentística / Materiais Dentários USP-FOBauru.

A catástrofe de Minamata, no Japão, a qual ocorreu em conseqüência do consumo de alimentos marinhos contaminados por lixo de indústria de plástico contendo mercúrio (TAKEUCHI et al.23); o consumo de cereais tratados pelo fungicida etilmercúrio, o qual provocou no Iraque o envenenamento de 6530 pessoas e a morte de 459 (BAKIR et al.1); no Brasil, a poluição do rio Madeira, afluente do Amazonas, onde todos os anos são despejados cerca de oito toneladas de mercúrio usados na extração de ouro, é tão grave quanto a da bacia do Tapajós, onde mais de 100 pessoas teriam morrido nos últimos meses em consequência da contaminação pelo mercúrio (SUPEDE22); são exemplos de calamidades devido ao pouco ou nenhum cuidado com o mercúrio.

O reconhecimento de que o mercúrio é um poluente ambiental de larga escala, tem também trazido aos cirurgiões-dentistas vários problemas em relação ao próprio e aos seus pacientes (JOSELOW et al.14).

Testes in vivo demonstraram que existe a liberação do mercúrio para o organismo e, que este é excretado com o passar do tempo (PHILLIPS18).

Estudos incessantes são realizados no que diz respeito ao mercúrio e o amálgama dental e, todo o cuidado deve ser tomado quando são manipulados, quer seja em laboratório ou em consultório odontológico.

A área odontológica não pode continuar a menosprezar o problema da contaminação mercurial que existe entre nós, pois o assunto tem sido constantemente negligenciado, e muito pouco estudado. A facilidade com que o mercúrio metálico contamina o ambiente, está diretamente relacionado com a sua volatilidade. O mercúrio se liquefaz a -39oC, e sua volatilidade aumenta com a elevação da temperatura ambiente, podendo esse aumento ser de até oito vezes quando a temperatura se eleva de 20oC à 50oC (SALGADO et al.20).

O problema tem sido estudado sob todos os aspectos, inclusive de higiene, tornando-se necessário, portanto, que sejam do conhecimento não só do profissional superior, como também do pessoal auxiliar.

REVISÃO DE LITERATURA

A exposição ao mercúrio por contacto direto ou através de seus vapores, por tempo prolongado em níveis acima do normal, pode provocar uma intoxicação crônica conhecida como hidrargirismo ou mercurialismo crônico (BAUER2).
A principal via de absorção do mercúrio é pelo trato respiratório. Os níveis de mercúrio na urina e no organismo são normalmente proporcionais aos níveis de mercúrio no ar (HAMMOND & BELILES11).

A manipulação de mercúrio e amálgama, novos ou velhos, supõe um risco de exposição para o pessoal que trabalha em um consultório odontológico. Este perigo torna-se real quando o clínico, bem como seus auxiliares encontram-se na área de trabalho manipulando mercúrio, amálgama ou soluções anti-sépticas baseadas em compostos orgânicos de mercúrio. Tem-se afirmado em geral, que os riscos aos quais os pacientes são expostos, não são potencialmente perigosos, com exceção de pessoas que possam ser sensibilizadas pela presença de amálgama dental. A exposição a vapores de mercúrio no consultório odontológico, seja na sala de espera ou durante os procedimentos de Dentística Reparadora, não é considerada um risco de exposição apreciável, devido ao tempo relativamente curto da presença do paciente no consultório (SOTILLO21).

Perigo real pode existir para o dentista e sua assistente, quando vapores de mercúrio são inalados durante a mistura, produzindo assim um efeito tóxico cumulativo (FAINSILBER et al.8).

O nível de exposição máxima, considerado seguro para exposição ocupacional, é de 50 microgramas de mercúrio por metro cúbico. Este é, de fato, um valor médio, a ser calculado das exposições instantâneas durante um dia de trabalho. O vapor de mercúrio não apresenta cor, odor ou sabor e não pode ser prontamente detectado por meio simples, em níveis próximos da exposição máxima permitida (PHILLIPS18).

BAUER5, demonstrou que o vapor de mercúrio, é rapidamente absorvido pelos pulmões. Em apenas 10 minutos de exposição de vapor, 30% do mercúrio é transferido dos pulmões para o sangue. Inalação de altas concentrações de vapor de mercúrio tem produzido danos nos brônquios e tecidos periféricos dos pulmões.

Os sintomas específicos podem incluir: tremor observável em movimentos finos voluntários, tais como escrever ou outros tipos de movimento fino; e, eventualmente progredir até as convulsões; perda de apetite; náuseas diárias; depressão; fadiga; irritabilidade crescente; mau-humor; inflamação pulmonar; nefrite; excitabilidade nervosa; insônia; dor de cabeça; inchaço de lingua e glândulas; ulceração da mucosa bucal; pigmentação da gengiva marginal e perda do dente (FICHMAN & SANTOS9; JADA13; LANGAN et al.15).

No consultório odontológico pode-se considerar como fonte de contaminação, entre muitos outros fatores, o derrame acidental do material, tipos de amalgamadores, condensação com ultra-som, aquecimento do porta-amálgama para a retirada do material endurecido, etc(COOLEY et al.4; FICHMAN & SANTOS9; HERBER et al.12; LANGAN et al.15).

O uso do mercúrio no amálgama dental é relativamente seguro. O perigo de envenenamento existe, entretanto só ocorre se houver negligência. Se ocorrer reação alérgica, o dentista deve estar ciente dos sintomas, para dar um diagnóstico adequado ou um tratamento paliativo.

Durante a remoção de uma simples restauração de amálgama, pode haver uma elevação mensurável do nível de mercúrio expirado pelo paciente. Essa alteração, parece ser pequena, resiste por algum tempo e é completamente evitável através do uso de procedimentos tais como: uso de alta rotação com refrigeração ar / água, sugador potente e uso de dique de borracha (REINHARDT et al.19).

O mercúrio é fetotóxico, e as cirurgiãs-dentistas em idade fértil devem proteger-se dos efeitos nocivos deste metal; o importante é que sua volatização seja evitada (TENÓRIO & SOBRINHO24).

A contaminação de mercúrio no consultório dentário pode resultar de uma variedade de fontes, incluindo hábitos insatisfatórios de saneamento, tais como armazenar mercúrio em recipientes com vazamento; derramamento de mercúrio na área de trabalho e aquecimento do amálgama durante a trituração e da condensação ultra-sônica (FUNG & MOLVAR10).
Há no momento evidências insuficientes para justificar as reclamações de que o mercúrio das restaurações tenha qualquer efeito adverso na saúde de nossos pacientes (ELEY & COX7).

DISCUSSÃO

Dentistas e auxiliares estão expostos ao Hg através do amálgama. Perigo real podendo existir quando vapores de mercúrio são inalados durante a mistura produzindo assim efeito tóxico cumulativo. Sendo 30% do Hg transferido do pulmão para o sangue.2,8,11,16,17,18,21

Quanto ao paciente, sua exposição a vapores de mercúrio durante a inserção da restauração é demasiadamente pequena para ser prejudicial.18

Pode-se considerar como fonte de contaminação, entre muitos outros fatores, o derrame acidental do metal, tipos de amalgamadores, condensação com ultra-som, aquecimento do porta amálgama para a retirada do material endurecido.4,9,12,15

Cirurgiões dentistas e as assistentes de consultório odontológico, devem se prevenir para que não ocorra contaminação mercurial, bastando seguir certas medidas preventivas, que tornarão o trabalho seguro, como por exemplo o uso de máscara cirúrgica, sugador, dique de borracha e instrumento rotatório de alta velocidade com apray ar / água.2,3,19,21

CONCLUSÃO

O amálgama de uso odontológico é um tipo de liga no qual um dos componentes obrigatórios é o mercúrio cujo contato com o profissional está bem evidenciado.

O mercúrio pode produzir efeitos tóxicos locais ou sistêmicos no organismo, pela inalação de vapores durante o preparo dos amálgamas ou quando, por discuido, disperso no local de trabalho; sendo essa intoxicação conhecida por Hidrargirismo.

A não observância das normas de segurança poderá levar o profissional superior, bem como seu pessoal auxiliar, ao envenenamento.
O risco de contaminação para o paciente não é evidente na literatura, quando dos procedimentos técnicos de restauração e, pelo curto tempo que permanece no consultório.

O amálgama vem sendo utilizado, por mais de 150 anos, na odontologia restauradora e ainda deve ser o material de escolha para a restauração de dentes posteriores. O vapor de mercúrio proveniente de restaurações é mínimo, e, não contra indica o seu uso.

É necessário que o profissional conscientize-se que o trabalho com Hg pode lhe trazer surpresas desagradáveis, cabendo-lhe tomar todas as precauções necessárias.

Enfim, desde que sejam tomados todos os cuidados relativos ao manuseio e higiene do mercúrio como por exemplo: não tocar no amálgama com a mão; trabalhar em ambiente bem ventilado; evitar consultório atapetado; remover e limpar imediatamente todo metal derramado; trabalhar com máscara, spray ar / água; acondicionar mercúrio em recipientes com água hermeticamente fechados e inquebráveis e etc.; este metal não deve ser considerado tóxico para a saúde dos pacientes quando utilizado em restaurações de amálgama, mesmo porque a quantidade de mercúrio que é liberada pelas restaurações com o passar dos tempos, é insignificante perto da quantidade de mercúrio presente em frutos do mar, peixes, etc.

SUMMARY

The mercury can produce local and systemic toxic effects by inhalation of vapors while preparing the amalgams or when, by incautioness, dispersed on the place of work.

The superior profissional and his auxiliares should know the security norms established for an odontologic consultory.

Professionals habituated with good hygiene practices and a correct handle of the instrumental and equipment constitute the best guarantee for well-being and sucess of the work in any branch of activity, principally in odontology.

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